As gentes da Coriscada têm grande apego às tradições religiosas e são crentes na igreja católica apostólica romana venerando o seu Deus e também os seus Santos.
A maioria das festas são feitas em honra e louvor de algum dos Santos que por algum motivo histórico acabaram por ser eleitos predilectos das gentes da Coriscada.
Assim, temos quatro festas religiosas ao longo de cada ano em honra do Santo António – Padroeiro da Freguesia; Divino Senhor da Boa Esperança; S. Sebastião e Santa Bárbara.
Existem ainda outros momentos do calendário que são assinalados com manifestações festivas, mas que têm um cariz tradicional ou de evento organizado pelo CSCC ou outras entidades, mas não de festejo como as outras supra referidas.
Poderemos daqui destacar o Corpo de Deus; o Natal e a Passagem de Ano de cariz tradicional e A feira artesanal e Encontros de concertinas ou de Ranchos Folclóricos ultimamente organizado pelo CSCC.
As festas ou festividades servem de motivo para que os Coriscadenses e suas famílias que residem fora da freguesia regressem à sua terra natal.
Podemos, orgulhosamente, ainda dizer que as festas da Coriscada são reconhecidas pela sua qualidade e grandiosidade para além dos limites do concelho e mesmo do distrito. Claro que tudo isto se deve ao enorme esforço e empenho de todas as comissões de festas a quem deixamos uma palavra de apreço e manifestamos a nossa disponibilidade para continuarmos a colaborar.
| Festa do Divino Senhor da Boa Esperança |
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A devoção ao Divino Senhor da Boa Esperança apresenta inúmeras demonstrações.
A exteriorização da fé de cada indivíduo cabe apenas a ele próprio. No entanto, a todas as demonstrações individuais há uma que é comum – a romaria em altura da festa do Divino Senhor da Boa Esperança.
Esta romaria resulta numa procissão de proporções inexplicavelmente grandes para uma aldeia com a dimensão da Coriscada.
À procissão em Honra do Divino Senhor da Boa Esperança acorrem devotos de vários pontos do país e até do estrangeiro que trazem com eles a fé e levam a Esperança do Divino Senhor.
A solenidade que o passar dos anos nos foi habituando será mantida na sua plenitude e é por isso que nos empenhamos na organização das celebrações religiosas e nos preparamos para fazermos a melhor recepção possível a todos os peregrinos.
“É célebre a grande e impressionante procissão das velas, organizada ao cair da noite com a imagem de Cristo morto transportada no “Esquife”. Esta procissão, profundamente religiosa e etnográfica, sai da capela e é acompanhada pelo som cadenciado de uma banda musical que com os seus instrumentos a acompanham marcando com ar solene e grave o ritmo do cortejo. Nesta procissão, milhares de pessoas, quase todas com velas acesas, seguem em filas, acompanhando a imagem do Divino Senhor, interessados e comovidos, rezando, lá vão percorrendo as ruas da aldeia. Muitas dessas pessoas vão descalças, cumprindo promessas feitas ao Divino Senhor. Quem vir e compreender bem este espectáculo, tem de, com verdade, dizer que as gentes da Coriscada são profunda e sinceramente religiosas, amando a Deus com grande fervor.”
In A Coriscada, de Maria Ester de Almeida, a editar
A festa é organizada no fim-de-semana em que calha o primeiro domingo do mês de Setembro e prolonga-se até à seguinte segunda-feira. À frente da organização estão normalmente seis casais em que um dos elementos é filho da terra.
O programa, apesar de pequenas variações, mantém-se com algumas ancoras de ano para ano sendo que no sábado existe a procissão de velas seguida de uma fantástica exibição pirotécnica, reconhecido além fronteiras e fornecido pelas empresas mais conceituadas a nível internacional, acabando a madrugada com um baile abrilhantado por um famoso conjunto musical.
O domingo é preenchido pela missa dominical prosseguida de engalanada procissão onde são visíveis e transportados os andores da paróquia. Na parte da tarde faz-se a arrematação das ofertas e existe habitualmente um espectáculo de música ligeira. O baile encerra o dia.
A segunda-feira da festa é dedicada ao acompanhamento do Divino Senhor da Boa Esperança à sua Capela e a parte da tarde dedicada a animados jogos tradicionais que proporcionam salutar convívio entre os coriscadenses e seus visitantes.
Esta é a principal festa da Coriscada e merece, sem dúvida, a sua presença.
Festa de S. Sebastião
Dia 20 de Janeiro, faz-se a Festa a São Sebastião, protector dos militares que vão para a tropa (guerra). São Sebastião foi capitão do exército romano, pertencente à corte da guerra pretoriana. É o padroeiro dos guerreiros.
Antes da missa vai o povo à capela do Divino Senhor onde se encontra também a imagem de S. Sebastião, sendo transportado para a Igreja Paroquial. Uma vez aí é celebrada a Missa, no final da qual há procissão, à volta da povoação, com o Santo no seu andor enfeitado a preceito pelas suas mordomas.
Os mordomos nomeados eram, por tradição, aqueles que, aquele ano, cumpririam serviço militar. Actualmente a isenção do serviço militar obrigatório faz com que os elementos da mordomia nomeada sejam rapazes e raparigas solteiros.
Festa de Santa Bárbara
No monte de Santa Bárbara, existiu um antigo Castro com o mesmo nome.
A festa com o nome desta Santa é celebrada na segunda-feira a seguir à Páscoa. Nesse dia festivo, quase toda a gente toda a gente da povoação se desloca ao monte onde se encontra edificada a capelinha da Santa, e de onde se vislumbra uma bela paisagem. Logo pela manhã é preparar do farnel, para de seguida se iniciar o caminho a pé até à capelinha.
Depois da celebração da missa segue-se a procissão com foguetes à mistura, com o andor da Santa, magnificamente enfeitado e levado aos ombros pelos mordomos. Partilha-se a merenda ou farnel. Partilhado é também, e distribuído pelo pároco por todos os presentes, um enorme e delicioso queijo fresco, fabricado de leite de ovelha, confeccionado por uma pastora da aldeia, e um grande bolo de ovos, característico desta zona e que não pode faltar na época da Páscoa, antes fabricado nos fornos da aldeia, e agora na padaria da aldeia.
O vinho que se bebe durante este convívio, à volta da capelinha, é comunitário. Este vinho é recolhido pelos mordomos da festa, aquando da época das vindimas, nos lagares dos diversos viticultores da aldeia. Os coriscadenses, ao verem aproximar-se os mordomos de Santa Bárbara com uma carroça com um pipo em cima e puxada por burros (antigamente usavam um carro puxado a bois), sabem logo do que se trata e, para além do convite amigo para “beber uma pinga”, enchem e entregam-lhes um cântaro com vinho, que é despejado no já referido pipo. Este ritual é feito em sinal de agradecimento pela colheita conseguida.
Tradicional é também, na véspera da festa, a distribuição de tremoços por todos os habitantes da aldeia, distribuição feita pelos mordomos de porta em porta. Também no monte, no dia da festa, há um enorme cesto destes tremoços para que cada um se sirva à vontade.
Na noite desse dia existe sempre um concorrido e famoso baile.
Festa de Santo António
Dia 13 de Junho, ou fim de semana mais próximo, é a festa do muito acarinhado padroeiro da aldeia - Santo António
Neste dia de festa, após a celebração da Missa, realiza-se uma procissão, percorrendo o Santo António, em andor engalanado, as ruas da aldeia e termina esta novamente na Igreja paroquial, onde é recolocado o Santo padroeiro, muito devotado pelos coriscadenses.
Depois da procissão, vêm os pastores, uns após outros, com os seus rebanhos enfeitados com variadas tintas e badalos, e dão com estes três voltas à Igreja.
Depois de retiradas as ovelhas, cansadas pela corrida em redor da Igreja, a festa continua, normalmente acompanhada pela sardinha assada distribuída aos presentes, regada com o bom vinho caseiro, produzido nas terras da Coriscada.
A animação nocturna, para além do tradicional baile, é composta por uma fogueira em que o combustível é composto por rosmaninhos que para além do efeito luminoso espalham o seu aroma pelas ruas da localidade.
O Natal
O Natal, como na maior parte das regiões, vive-se em família caracterizado pela ceia de natal que em muitos elementos é comum a todos os portugueses.
Na noite de consoada, 24 de Dezembro de cada ano, as pessoas juntam-se em casa de familiares, geralmente em casa dos pais e/ou avós, onde depois de preparada a ceia todos comem à volta da mesma mesa.
Mas, na Coriscada o Natal vive-se de maneira única. Sente-se o calor do amor e do afecto.
Os sinos da igreja desde o por do sol são tocados, por quem queira, de forma a anunciar a o nascimento do Menino Jesus.
As raparigas, durante o dia, armam e ornamentaram o presépio, junto ao altar de Nossa Senhora do Rosário, colocando imagens da Sagrada Família, Reis Magos, Pastores com os seus rebanhos, etc., sobre os musgos verdes apanhados nos campos.
Os rapazes, regra geral, solteiros, durante a tarde e até ao anoitecer, juntam, no largo do adro da igreja, grandes troncos e raízes de árvores transportados presentemente em tractores mas antigamente em vários carros de bois.
Por volta das onze horas da noite, dando tempo que todas as famílias terminem a sua ceia de consoada, os rapazes ao som dos sinos acendem o "Cepo". É a fogueira de Natal da aldeia.
Enquanto os sinos continuam sempre repenicando, arde toda a noite esta fogueira, continuando por vezes pelo dia de Natal adiante, e nem o frio de "rachar" impede que as pessoas ali permaneçam conversando e cantando pela noite fora. A “volta ao povo” é feita ao som de músicas natalícias.
| Passagem de Ano |
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A passagem de ano começa a ser um tradicional festejo da aldeia de Coriscada.
No Adro da Igreja, desde há muitas décadas, é feita uma fogueira muito idêntica à criada na noite de consoada. No entanto com o evoluir dos tempos, apesar da manutenção dessa tradição tem-se vindo a acrescentar a noite da passagem de ano com eventos organizados e realizados no pavilhão Multiusos da Freguesia.
| Outros Eventos |
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Muitos eventos e muitas dinâmicas devem-se à estrutura associativa que existe na aldeia, nomeadamente ao Centro Sócio-Cultural da Coriscada que nos últimos anos, e bem, tem organizado Encontros Culturais, Musicais e Desportivos. Sempre com o apoio e colaboração possível desta Junta de Freguesia.
Mas, “a César o que é de César”. E recomendamos, por isso a consulta do site da Internet do CSCC:
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