| Património Arquitectónico |
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Igreja Matriz: A Igreja Matriz é o ex-libris da Coriscada, toda em granito, a sua construção ter-se-á iniciado na segunda metade do século XVII construída, De estilo barroco, a fachada apresenta, para além de elegantes volutas, um singelo e raro varandim.
Este templo tem grandes proporções e dispõe de uma sacristia, de uma torre sineira, com dois grandes sinos do século XVII e de um varandim, ao qual se tem acesso pelo "coro".
No interior, de uma só nave, existem quatro altares: Altar-Mor, em talha dourada e de estilo barroco, onde sobressai o Cristo crucificado em tamanho natural – esta é uma obra riquíssima em talha, pintura e escultura, quase do tamanho natural em estilo barroco e é anterior ao século XVIII. Fica situada ao centro, por cima do sacrário, e merece a nossa melhor atenção; Altares de Nossa Senhora do Rosário, do Senhor dos Passos, e de São Miguel, todos em estilo rococó.
Existia, ainda, um quinto altar, o do Coração de Jesus, que foi mandado erigir, com autorização de Sua Reverência, o bispo de Lamego, por volta de 1910, por Maria de Menezes, descendente directa do Marquês de Marialva, que aqui viveu, na chamada Casa da Chaminé, mas que foi mandado retirar pelo pároco da aldeia, em 1984, época em que a igreja sofreu obras de restauração. Todo o ladrilho do pavimento era de cantaria, denotando marcação de sepulturas, o qual foi mandado alterar/desfazer e substituído por pavimento de madeira de pinho. Também este voltou a ser substituído por outro de mosaicos, aquando das obras de restauração da igreja. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…
O templo tem também o Púlpito, situado a meio da igreja, do lado esquerdo, tem uma base granítica, é uma só peça feita em talha escura e uma enorme pia baptismal situada ao fundo e entrada do templo é escavada numa só peça granítica.
Capela do Divino Senhor da Boa Esperança: Em granito e de estilo barroco.
Foi mandada construir pelos descendentes dos Marqueses de Marialva para sua capela particular que, posteriormente, doaram ao povo. O interior é ricamente decorado, com destaque para o altar, o púlpito e as pinturas do tecto. É nesta capela que se encontra a imagem do Divino Senhor da Boa Esperança por quem os coriscadenses têm grande devoção e a quem dedicam a festa maior.
No Altar encontra-se, além de uma imagem do Cristo morto, em tamanho natural, uma pequena mas maravilhosa imagem de Nossa Senhora do Campo.
Lateralmente, encontram-se as imagens de Nossa Senhora da Conceição e do mártir S. Sebastião, o padroeiro da mocidade. Tendo sido em tempos remotos o padroeiro da aldeia. Ora, estando esta povoação localizada próxima da fronteira, sofria em grande escala as consequências das guerras, nela se enraizou o culto a S. Sebastião, protector dos militares e também da povoação contra a fome, a peste e a guerra.
No tecto da capela vêem-se pinturas a Nossa Senhora da Conceição, motivos florais e de animais, sobre um fundo castanho.
Anexa à capela encontra-se a sacristia.
Capela de Santa Bárbara: Ermida situada no monte do mesmo nome. Para além de albergar a imagem da Santa que dá o nome à capela, esta tem um significado especial para os Coriscadenses. Como se apresenta na toponímia e história da Coriscada, a protecção contra as tempestades e os “raios e coriscos” assenta na existência desta pequena capela.
Do alto da capela consegue-se ter uma das mais belas vistas da região.
Solar dos Viscondes da Coriscada (ou Casa Grande): No centro da aldeia, no adro junto à Igreja, ergue-se o imponente solar, antigamente pertencente ao Visconde da Coriscada. Este é também conhecido por "Casa Grande" devido às suas enormes proporções. A sua construção é do estilo Barroco de século XVIII e foi residência dos Viscondes de Marialva.
Todas as paredes do solar são construídas em granito. Os compartimentos são muitos espaçosos e mantêm-se luxuosamente mobilados ao gosto da época.
Os tectos de salas estão recobertos com pinturas policromas. De entre as várias salas existentes, destaca-se uma: "A sala da Fonte".
A frontaria do solar é imponente e majestosa. O alçado frontal tem oito enormes janelas de sacada, de arco quebrado com conchas na chave e uma grande porta situada do lado esquerdo, ladeada por dois óculos. Esta dá acesso ao interior do edifício. Uma das enormes salas do rés-do-chão não tem portas nem janelas, mas só uma pequena abertura superior.
Solar dos Meneses (ou Casa da Chaminé): Esta casa, também com manifestação de puro estilo barroco, tem como principal característica uma enorme chaminé que, segundo se diz, é das maiores de Portugal naquele género. A construção desta casa solarenga data dos finais do século XVI e foi habitação do Governador da Índia, D. Pedro de Alcântara de Menezes, Marquês de Marialva e de sua terceira esposa.
Fonte da Zarelha: É mais uma fonte de mergulho presume-se ter sido mandada construir pelos descendentes dos Marqueses de Marialva, no século XVI.
É de estilo barroco. Encimada por três pilaretes, ostenta na fachada um brasão de armas.
Situada entre a capelinha de Santa Bárbara e a aldeia, na encosta do monte, é um tesouro de pedra fina que os coriscadenses vêm conservando com carinho ao longo dos séculos.
Esta fonte tem um longo aqueduto que vai captar as águas ao interior do monte. Em tempos que já lá vão, fornecia água para a povoação. Apesar de afastada da aldeia, as mulheres ali iam encher os seus cântaros de barro, pois a água era das mais puras e frescas da região, que transportavam à cabeça até suas casas.
Do seu conjunto faz ainda parte um tanque, onde os animais podem matar a sede.
Fonte da Dorna:. Encontra-se no centro da aldeia. Trata-se de uma fonte de mergulho romana e encontra-se já bastante soterrada. Conserva, no entanto, o seu lindo arco e uma das suas antigas ameias. Por se assemelhar a uma dorna de transporte de vinho, foi-lhe posta esta designação. Os blocos graníticos da cobertura estão dispostos em semi-círculos, lembrando as aduelas aplicadas pelos tanueiros.
Fonte do Chão da Cruz: Situada na entrada Norte da Coriscada, a fonte de mergulho do Chão da Cruz é também relíquia da nossa terra.
De granito, apresenta na fachada uma pedra trabalhada em relevo e termina com um friso decorativo.
Remonta à mesma época da Fonte da Zarelha, Capela do Divino Senhor da Boa Esperança e Igreja Matriz, e tem o mesmo estilo barroco. Tem uma água excelente e nela matam a sede pessoas e animais ao regressarem dos trabalhos campestres quando vêm da zona do prado. Em 1962 foi construído, a 60m da fonte, um bebedouro para os animais.
Cruzeiro: Fica situado fora da povoação, no caminho que se dirige para as terras do Gravato e Aldeia Rica. Fica situado num largo, cerca de 200 metros da aldeia, e dele se pode admirar o encantador Monte de Santa Bárbara.
Foi construído em granito no século XVIII, é encimado por uma cruz, tendo grande simplicidade, beleza e elegância.
Como o seu nome indica, "Cruzeiro" por se encontrar no cruzamento de caminhos, é uma pequena construção bem concebida, também de estilo barroco.
Outros: Fontes de Mergulho; Lagar de Vara; Casas de granito com seus
alpendres e chaminés de pedra; Forno comunitário; Moinhos (no rio Massueime).
| Património Arqueológico |
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No sítio do Vale do mouro, nas terras da Coriscada, no ano da graça de 2001, iniciaram-se prospecções arqueológicas no sentido de se perceber o que existia por debaixo do solo. Isto porque, desde há muito tempo, se encontravam vestígios de telhas e outras cerâmicas com vários séculos.
O CSCC, sensibilizado com os achados efectuados, grande parte feitos pelo Sr. António João Raposo, entendeu a nível de ocupação dos tempos livres iniciar as escavações.
Aquilo que não passava de uma suspeita, veio a confirmar-se e os achados de uma antiga povoação romana começaram a aparecer uns após outros.
Mas, foi no ano de 2003 que estas escavações tiveram um maior impulso com a participação de dezenas de arqueólogos vindos de França e, desde então, todos os anos, inúmeros arqueólogos se deslocam à Coriscada – leia-se Vale do Mouro, para continuar as escavações.
Actualmente, a área em estudo e escavação é de uma extensão superior a 200 metros de comprimento e 120 metros de largura, e terá sido o local de proveniência de uma ara dedicada aos “Vicanis Goabonicenses”.
As escavações permitiram a descoberta de balneários romanos, um pátio ladrilhado com elementos figurativos, pontas de lança, cerâmica, moedas, elementos de construção, entre outros.
De entre as estruturas já postas a descoberto, destaca-se um edifício de grandes dimensões, possivelmente pertencente ao “homem rico ou negociante” da antiga “villa”, mas que o Dr. António Sá Coixão – o arqueólogo responsável por todos os trabalhos, considera ter sido um “vicus” ou aldeia.
Esse edifício teria um arco triunfal de que foram encontradas as respectivas aduelas, um átrio, termas privadas, sala de convívio com lareira ao centro, zona de banhos (hipocaustum), com “sala fria” (frigidorum) e “sala quente” (caldorum) – não há sala intermédia –, as latrinas, condutas de água, esgoto das banheiras, área de serviços como a de moagem, fornos e tanques. Foram já postos a descoberto ladrilhos com figuras humanas, outros danificados devido à agricultura mas com reboco da época com a matriz dos mesmos.
O arqueólogo recorda que no mesmo local, nas campanhas arqueológicas de 2006 e 2007, foram encontradas diversas áreas revestidas com mosaico policromado idêntico ao de Conímbriga, o que revela a importância do sítio romano.
Destacamos também o achado ocorrido em Outubro de 2007 que pôs à vista um tesouro romano - mais de quatro mil moedas do século IV, e mais uma vez vem comprovar a importância do local.
O empenho das entidades públicas e das pessoas particulares locais é total neste projecto.
A Junta de Freguesia, em particular, assume o compromisso de apoiar este projecto em tudo o que estiver ao seu alcance, honrando o protocolo existente entre o arqueólogo, Dr. António Sá Coixão, o CSCC, a autarquia e ela própria, e, ainda, de se empenhar na construção do, almejado, museu arqueológico na freguesia da Coriscada.
Para ver mais sobre este tema, visite a página do CSCC -
| Património Cultural |
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Artesanato: O artesanato é uma das manifestações de expressão popular que melhor define a região e as suas gentes e temos que preservar sob pena de cairmos num vazio cultural e de valores. Valores esses que têm marcado a formação humana daqueles que têm ligações com a nossa terra e a nossa região.
Na Coriscada, muitas das tarefas diárias continuam a ser executadas como nos tempos mais longínquos. A água continua a sair dos poços com a ajuda do picanço e muitas terras são trabalhadas com ferramentas artesanais puxadas por animais. O próprio vinho, um dos principais produtos da região, continua ainda, na maioria das casas a ser fabricado de forma artesanal. As restantes culturas são produzidas também de forma artesanal respeitando o meio ambiente e, na maioria dos casos, sem recurso a produtos químicos ou alterados. Pode, por isso, que a produção agrícola da Coriscada é fruto de uma agricultura biológica.
As artes de carpintaria, latoaria, ferreiro, sapataria, destilaria ainda estão presentes na Coriscada e têm de ser acarinhadas e protegidas contra a evolução do tempos e das consequências da globalização. Como representantes destas artes temos os Srs. Jeremias Dias, Abraão Pinto e Amílcar Pinto, como carpinteiros; o Sr. Fernando Monteiro como Latoeiro; o Sr. João António Almeida – (Sr. Joãozinho, como é acarinhado por todos) como Ferrador; o Sr. Fernando Monteiro como sapateiro e, por último, o Sr. Luís Almeida que continua anualmente a destilar o bagaço após as vindimas.
Também as artes relacionadas com a gastronomia ainda estão presentes e os produtos locais continuam a ser servidos à mesa dos coriscadenses e seus visitantes. O queijo tradicional de leite de ovelha ou cabra e os enchidos tradicionais – a chouriça, a farinheira, o palaio, entre outros, felizmente ainda continuam a ser feitos na Coriscada, em especial na Salsicharia Moreira.
| Rancho Folclórico e Etnográfico da Coriscada |
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A existência etnográfica na Coriscada remonta aos anos quarenta, é de referir a participação do Rancho Folclórico da altura, no desfile de Ranchos Folclóricos na exposição do Mundo Português.
Renasceu no ano de 1984 como Rancho Infantil, tendo mais tarde convergido para adultos, com a designação de Rancho Folclórico e Etnográfico da Coriscada, foi integrado na secção de etnografiado Centro Sócio Cultural da Coriscada,no ano de 1985;
A recolha das danças, cantares e trajes, baseiam-se nas tradições, usos e costumes, da Aldeia da Coriscada;
Os gestos, as vozes, o toque, as representações, tornam o folclore um espectáculo etnográfico belíssimo, pela sua simplicidade e diversidade, é este folclore que queremos mostrar e preservar.
Actualmente o rancho conta com centenas de actuações a nível nacional e internacional sendo sempre um cartão de visita da Coriscada, transmitindo sempre, por onde passa, a alegria do que é ser coriscadense.
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